Menalton: Precisamos de leitura com qualidade
Na abertura do projeto Bate-papo com o Autor, no Clube de Leitura Palavra Mágica, escritor também comentou sobre processo de criação literária

O escritor Menalton Braff, vencedor do Prêmio Jabuti, abriu, na sexta-feira, 27/2, o projeto Bate-papo com o Autor – uma série de encontros mensais com os sócios dos clubes de leitura Palavra Mágica e aberta ao público em geral. O escritor contou detalhes do seu processo de criação, seus autores preferidos e comentou sobre a qualidade da literatura no Brasil e a importância da leitura na vida das pessoas.

“Precisamos incentivar cada vez mais a leitura, como fazem a Fundação Palavra Mágica e o meu amigo Galeno Amorim. Mas também temos que ficar atentos à qualidade das obras”, ressaltou Menalton, que ficou conhecido nacionalmente, em 2000, ao vencer o maior prêmio da literatura brasileira, com a obra À Sombra do Cipreste, eleita o Melhor Livro de Ficção do Ano.

Entre as várias curiosidades do público, Menalton se disse um escritor à moda antiga. “Escrevo sem nenhuma pressa, por absoluto prazer.” Perguntado sobre dificuldades no processo de criação, ele afirmou que o primeiro parágrafo de cada obra é o mais árduo de ser elaborado. “Às vezes, acordo às três da madrugada com uma idéia, e corro anotá-la, ou posso perder a melhor frase que poderia encontrar.”

Pedro Bial – Indagado se já havia sido surpreendido por algum leitor ou jornalista, sobre detalhes de sua criação que ele mesmo não tivesse percebido, Menalton citou uma entrevista com o jornalista Pedro Bial, da Rede Globo. “Ele sabia, por exemplo, em que dia eu havia escrito determinado trecho de um dos contos. Observei no livro À Sombra do Cipreste, em sua mão, e lá estavam várias anotações sobre as histórias e os personagens”, lembrou. “Fiquei sabendo depois que o Bial havia recebido o livro apenas um dia antes da entrevista e o teria lido, sem parar, até a última página, reconhecendo detalhes que só eu sabia.”

Sobre seus autores preferidos, Menalton não hesitou: “Machado de Assis. Ele é o nosso grande inventor”. Citou ainda Guimarães Rosa e Clarice Lispector, como criadores admiráveis. Mas, em contraponto com a atualidade, Menalton Braff comentou que perdemos muito em qualidade. “Hoje o mercado, quase sempre, determina o que vai para as livrarias.”

Para a presidente da Fundação Palavra Mágica, Luciana Paschoalin, o evento teve todos os quesitos alcançados. “O público adorou – o Menalton encanta as pessoas. E o melhor: tivemos um papo descontraído, mas com conteúdo e troca de informações.”

Inscrições - Interessados em participar dos clubes de leitura podem obter mais informações pelo e-mail clubedeleitura@palavramagica.org.br, ou, ainda, pelo telefone 3610-0204.

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