Luiz Puntel: “Nós lemos, mas é o livro que nos relê”
Escritor participou do projeto Bate-papo com Autor, da Fundação Palavra Mágica, e falou sobre o papel da leitura na formação do ser humano

Com seu jeito simples e um carisma contagiante, Luiz Puntel envolveu e cativou o público presente ao Bate-papo com o Autor, evento que integra as ações do projeto Clube de Leitura da Fundação Palavra Mágica, realizado toda última sexta-feira do mês e aberto à comunidade. “Quando estamos lendo, também somos relidos pelo livro. E é nessa releitura que a obra nos leva a questionar sobre nós e sobre os acontecimentos que nos cercam. E isso nos forma como pessoas e cidadãos”, disse o escritor, reconhecido em todo o País por sua obra voltada à literatura infanto-juvenil.

Mineiro de Guaxupé, mas ribeirão-pretano de raízes e de coração, Puntel falou para adolescentes, jovens e adultos, numa conversa informal e descontraída, sobre os vários temas que envolvem o mundo do livro e da leitura. “Hoje temos uma indústria que promove alguns livros como se fosse um megashow. Na verdade, isso não condiz com a beleza das palavras que nascem dos nossos sentimentos. Um livro em si já uma grande realização e temos que saber valorizar isso, como se faz aqui, na Palavra Mágica, pelos clubes de leitura”, afirmou Puntel.

Como foi publicar o primeiro livro? Ele lembra que uma editora estava em busca de novos autores. “O pior que podia acontecer era não gostarem. Mandei e esperei o resultado”, conta. “Nessa época eu trabalhava no Banco do Brasil e, num belo dia, um amigo me disse que havia um telefonema para mim. Achei que fosse mais um cliente querendo saber sobre saldos e extratos. Quando disseram que era da editora e que iriam publicar meu livro, quase caí. Respirei fundo e pedi pra sentar”, relembra. Essa primeira obra, um conjunto de contos e crônicas, ganhou o título de Não Agüento Mais este Regime.

Diante de inúmeras e interessantes perguntas, Puntel foi abordado sobre a atual qualidade literária e a “invasão” dos best-sellers. A resposta, como que uma bússola na vida do autor, veio com a afirmação de que “o ato de escrever é um sacerdócio, uma profissão de fé”. “Para mim – ressaltou – o livro é um ato de resistência, diante da sociedade que cultua o espetáculo, sempre com os olhos no lucro.”

Para Luciana Paschoalim, presidente da Fundação Palavra Mágica, o projeto Bate-papo com o Autor tem superado as expectativas. “Nesta segunda edição, pudemos sentir a necessidade de que o público tinha desse tipo de evento. Todos saem contemplados: o escritor, diante do acolhimento dos leitores; e o público, pela satisfação de poder conhecer o seu autor e levar para toda a vida essa experiência da leitura, que não tem preço”, afirma.

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